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Música Refletor

O poeta está vivo em nossos corações

[caption id="attachment_945" align="aligncenter" width="500"]Fotos: Divulgação Fotos: Divulgação[/caption]

Ele marcou a música brasileira, tornou-se ídolo de várias gerações e hoje completaria 58 anos se ainda estivesse entre nós. Poeta declarado, Cazuza eternizou seu nome na história do País não só por suas letras críticas e românticas, mas também por usa personalidade e genialidade incontestáveis.

Nascido em 4 de abril de 1958, Agenor de Miranda Araújo Neto, o Cazuza, era filho de Lucinha Araújo com o produtor fonográfico João Araújo. Devido à profissão do pai, o garoto do Leblon cresceu em contato com a música popular brasileira, rodeado por grandes nomes como Elis Regina, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Gal Costa, João Gilberto e Novos Baianos. “Ele foi criado no berço esplendido da MPB. Não podia dar outra coisa, tinha que ser uma pessoa muito especial”, diz Lucinha Araújo.

Mas as referências do artista não pararam por aí, Cazuza admirava grandes nomes de sua e de outras gerações, como Cartola, Dolores Duran, Noel Rosa, Maysa, Rita Lee, entre outros. Fora do País, conheceu o som de Janis Joplin, Led Zeppelin e Rolling Stones, de quem se tornou fã.

[caption id="attachment_942" align="alignleft" width="227"]Lucinha e Cazuza Lucinha e Cazuza[/caption]

Antes de ingressar na carreira artística, o poeta foi aprovado no vestibular para comunicação, aos 18 anos, mas não seguiu com o curso. Mais tarde, trabalhou na Som Livre (empresa que o pai foi presidente), fazendo a triagem de novos cantores e também na assessoria de imprensa. Em 1979, foi para Califórnia (EUA) fazer um curso de fotografia, e lá descobriu a literatura da Geração Beat, que o influenciaria mais tarde.

No ano seguinte, de volta ao Rio de Janeiro, cantou em público pela primeira vez, no período em que integrava o grupo de teatro “Asdrúbal Trouxe o Trombone”, no Circo Voador. A mostra de seu talento rendeu sua indicação para assumir os vocais da banda Barão Vermelho, que integrou até 1985, quando, em busca de liberdade musical, partiu para carreira solo.

Em 9 anos de carreira, o cantor eternizou muitos sucessos em sua voz, entre aqueles que ficaram conhecidos junto ao Barão Vermelho estão “Pro dia nascer feliz”, “Todo amor que houver nesta vida”, “Bilhetinho azul”, “Maior abandonado”, e “Bete balanço”, entre tantas outras. “Logo que Cazuza começou sua carreira, ele cantava seus amores desvairados e depois que ficou doente, passou a cantar seu País. É possível notar isso direitinho na carreira dele”, reforça Lucinha Araújo.

Em sua trajetória como cantor solo, destacaram-se letras como as de “Ideologia”, “Faz parte do meu show”, “O tempo não para”, “Codinome Beija-flor” e “Exagerado”, marca registrada de Cazuza. Mas nem todas as suas composições foram conhecidas pelo público durante sua vida. Cazuza deixou 65 canções inéditas, que serão interpretadas por grandes nomes da música popular brasileira, como Baby do Brasil, Caetano Veloso e Seu Jorge.

A Sony Music lançou no ano passado, um álbum inédito como forma de homenagear a memória do cantor após os 25 anos de sua morte.

[caption id="attachment_946" align="alignleft" width="300"]Zé Luis, Cazuza, Lobão e Marina Lima / Foto: Cristina Granato Zé Luis, Cazuza, Lobão e Marina Lima / Foto: Cristina Granato[/caption]

Vida louca vida

“Vida louca, vida breve”, assim como a letra sua canção, foi a vida de Cazuza. Paralelo ao sucesso da carreira, o cantor não abandonou seus hábitos boêmios, frequentando, entre outros lugares, o baixo Gávea, baixo Leblon e African Bar, onde tomava seu whisky, vivia seus amores e usava suas drogas. “Ele não era drogado, usava drogas, era diferente. Tanto que nos últimos dois anos de sua vida, não usou nada. Cazuza gostava mesmo era de um copo de Jack Daniel’s, como o pai dele. Dizia que era a bebida da Janis Joplin”, revela a mãe.

Além da vida boêmia, o poeta exalava carisma e encantava a todos ao redor. “Ele era amoroso, tanto comigo quanto com o pai. Era o querido das tias e das primas, o rei da família. Além disso, Cazuza era muito romântico, acho que só não se casou porque dizia que não tinha sido feito para casar, que não queria dividir nada com ninguém, que não tinha dividido nem o palco com Barão Vermelho”, lembra Lucinha.

Apesar de não estar na natureza de Cazuza se prender a ninguém, dois namoros marcaram sua história: Ney Mato Grosso e Serginho Dias. “Ele não se entregava muito. Tinha medo de sofrer. Dizia ‘o amor é sofrimento, então eu não vou me entregar”, conta a mãe.

Lucinha revela ainda que Cazuza tinha muita vontade de ter filhos, e chegou a falar em adotar uma criança, mas logo que tomou essa decisão, ficou doente e não pode seguir em frente. “O detalhe é que ele queria uma criança negra, pois dizia que criança negra ninguém gosta de adotar. O Cazuza queria adotar sozinho, mas ia me meter, claro! Coitadinha da criança, ele viajando para fazer show, isso, aquilo. Eu ia ver as coisas erradas e querer intervir.”

Já com a doença manifestada, em 1989, no auge do sucesso, o cantor declarou em rede nacional ser portador de HIV. “Quando ele tomou a decisão de levar essa notícia ao público, argumentou que tinha decidido falar porque uma pessoa que escrevia ‘Brasil mostra sua cara’ não podia deixar de mostrar a sua própria em momento desses”, revela Lucinha.

A mãe do cantor relata que após a revelação da doença, o carinho pelo filho aumentou ainda mais. “As pessoas gostavam muito dele. Ele passava na rua e as pessoas gritavam ‘força Cazuza’. Ele nunca foi tão amado como depois que se declarou soropositivo.”

Viva Cazuza

[caption id="attachment_944" align="alignright" width="239"]Lucinha e Cazuza Lucinha e Cazuza[/caption]

Cazuza faleceu no dia 7 de julho, e tirando forças de toda garra e determinação do filho, Lucinha Araújo, em outubro de 1990, abriu as portas da Sociedade Viva Cazuza, no bairro de Laranjeiras, no Rio de Janeiro. “Eu quero eternizar o nome do meu filho, apesar dele não precisar disso, mas enquanto eu puder gritar que ele foi bom, que marcou a música popular brasileira eu estarei aqui”.

A instituição, que vive dos direitos autorais de Cazuza e uma pequena ajuda do município do Rio de Janeiro, acolhe crianças portadoras de HIV em regime de internato e oferece a elas todos os cuidados necessários.

Hoje, a casa acolhe 16 crianças, mas a Viva Cazuza já chegou a abrigar 35 crianças em um mesmo período. Durante os 25 anos de sua existência, a ONG já atendeu  um total de 109 internos. “As histórias de vida de todas essas crianças me marcaram muito, todos vindos da pobreza extrema, falta da família e com a doença, que infelizmente não tem cura.”

O local abriga também uma espécie de museu do cantor. Um acervo com roupas de shows, discos e artigos pessoais disponíveis para visitação dos fãs. “Como eu e o pai dele deixamos tudo para a Sociedade Viva Cazuza, espero que este espaço continue quando eu não estiver mais aqui para que os fãs que querem saber mais sobre ele possam ter acesso”, encerra.

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